sexta-feira, 29 de maio de 2009


Ao acordar viu-se obrigado a sobreviver a mais um dia de sua vidinha comum e cheia de agruras, a seu ver, tomaria banho tentando despertar e sem sentir as caricias que a água morna fazia em seu corpo lânguido, sairía do banho da mesma maneira que entrou. Como tinha dormido de mais - isso já tinha se tornado costume - não tería tempo para tomar o delicioso café que a sua mãe sempre solicita havia preparado. Saíra de casa, desanimado com a maleta de couro na mão, pensava como seria ruim ter que enfrentar aquele trânsito e logo após aturar o manobrista da empresa que estava sempre com um bom humor irritante o qual ele não sabia de onde vinha.
Ao chegar em sua sala, a secretária o informaria sobre uma reunião que fora marcada em cima da hora, irritado com a suposta falta de organização deu-a uma resposta ríspida e a mandou sair. Após murmurar um pouco e ler ums documentos de forma apressada e impaciente, saíra irritado para beber o café que já estava frio as 8:30 da manhã, fazia aquilo todos os dias como forma de escapismo, tentando encontrar nos goles de café algo que ele sabia ter perdido ao longo dos anos. Desanimado, voltava a sentar-se em sua enorme e confortável cadeira mais mal humorado ainda pela frustração que carregava; perdido em pensamentos lembrava dos seus sonhos de menino e indagava-se porque não tinha corrido atrás deles, porque não tinha se tornado bombeiro ao invés de um executivo que não sabia mais onde enfiar tanto dinheiro, perguntava-se porque via tantos problemas naquela mulher que todos diziam ser maravilhosa... embriagado pelas decepções, arrependimentos e insatisfações uma lagrima silenciosa banharía seu belo rosto, escondido entre a barba por fazer, quando outras teimosas começaram a seguir a primeira enxugou o rosto reprecivamente, passou a mão nos cabelos negros e disse a si mesmo
- deixe de besteiras homens não chor...
Fora interrompido por três batidas leves na porta, era a secretaria avisando que a reunião começaria em breve.
Juliana Melo

terça-feira, 26 de maio de 2009


Achas os meus sonhos absurdos?
Será que sou exigente de mais?
Se os teus sonhos são escuros
Os meus são claros, é voraz.

Desejo o que mereço,
Espero mas não padeço,
Vôo alto em pensamento
E não caio pro seu alento.

Vejo em breve
Minha vontade ser real,
Assim como a neve
No hemisfério austral.

Beijos, aprovações, amores,
Minha vida não abre espaço pra temores,
Sigo caminhando ou correndo
Alcançando e libertando sentimento.

Se não é hoje é amanha,
Faço do meu canto a canaã,
Vejo a beleza manifestar-se no mais efêmero.
Movimento...

Tenho muito a aprender,
Não nego nem esqueço,
Mas sei q posso conseguir
Tudo aquilo que mereço.

Se sinto a alegria no mais banal
Posso assim tornar
Minha maior felicidade
Cada vez mais real.
Juliana Melo

sábado, 23 de maio de 2009

O fugido brilho de uma lembrança passada.

O céu cinzento devora a luz, e eu estóica segurava um pedaço de papel nas mãos e a palavra nos lábios, deixei escapar um som o qual eu mal podia distinguir, a palavra que debulhava-se no vento era: saudade. sentia um misto de alegria e resignação, e a tensão enrijecia meus músculos, ao passo que uma lágrima solitária banhava meu rosto, um leve e sutil sorriso começou a se desenhar em minha face. Eu havia entendido o quanto era importante cuidar de tudo que amamos, seja das amizades ou qualquer outra coisa, eu havia entendido que não queria e não podia deixar a vida passar e ir carregando com ela uma série de arrependimentos, eu não podia me deixar viver sem aproveitar da melhor forma o que pra mim se apresentava, pois a vida passa muito rápido especialmente a parte que vale a pena ser vivida; nós existimos enquanto alguém se lembra de nós e eu não queria deixar de existir. Reencontrei pessoas que fizeram parte da minha história, ajudaram a construí-la e mesmo longe hoje, são inesquecíveis; lembrei de outras que apesar da distância estão sempre por perto; outros que chegaram de repente e já estão solidificados; abracei e beijei amigos que não durarão mais que um suspiro e entreguei meu coração aos que estarão sempre em mim, vi coisas que não queria, mas que fazem parte, e senti meu coração apertar com isso, às vezes se acha que não importa mais nada e tantas vezes nos enganamos, você vai ficar marcado pra sempre...
Dancei, sorri, brinquei, me emocionei, quase não acerto os passos ensaiados uma única vez, mas foi tão bom; doses cavalares de endorfina corriam pelas minhas veias e me fizeram mergulhar numa seção nostálgica de memórias banhadas de sorrisos e confidências, o cérebro não distingue imaginação de realidade, levando-me nesse instante pra algum lugar no infinito, aquele que não tem começo nem fim...assim como tudo que vivemos juntos, as loucuras, bagunças, gargalhadas, confusões, brincadeiras, correrias, tristezas as quais juntos sempre conseguimos fazer desvanecer. Assim entrego meus sentimentos aos braços amorosos da vida pra que ela me ajude a cuidar e fazê-los crescer saudáveis, com a esperança de conseguir torná-los um pouco menos fugidos.
Juliana Melo