quinta-feira, 30 de julho de 2009
Juliana
Subjetivo...
Sinestésico...
Observa meu ser
Carregado de significado.
De Presente e de passado.
Pele de sol,
Cabelos de bruma,
Olhos de ninfa,
Amor que cura,
voz que encanta,
Sorrisos, que façanha,
Na boca o coração,
Ela não tem definição.
Não me vejo no que reflete,
Não me enxergo num espelho,
Mais que um corpo
Levo em meu seio
Toda vida que vivi,
Todo sonho que guardo aqui.
É pura tranqüilidade,
É perdão, não tem maldade,
É desejo, fugacidade,
É alegria, sonhadora e atrevida
Vive numa só preguiça.
curiosa de mais;
Conversadora, tem façanha;
Cuidado, você se engana;
Ela se envolve,
Te enlouquece,
Não esmorece,
Mas se encanta.
Essa é uma parte de Juliana.
O tempo levará a matéria
A essência fica sempre, tão etérea.
Tudo q viste e não enxergaste
Foi apenas a ínfima parte
Dessa moça que julgas tão bela.
Juliana Melo
sábado, 18 de julho de 2009
Fuga sertaneja
Uma luz brilha no céu.
Reflete sua sombra lânguida no chão.
Sob o sol acachapante do sertão,
Segue caminhando uma magra silhueta.
Será que busca pão?
Será que na mão leva uma caneta?
A quilômetros esta a escola mais próxima,
Carente até de porta,
Mais distante ainda está o alimento.
O corpo segue carregando,
Sobre o ombro o desalento.
Não se sabe para trás o q está deixando
Talvez não haja nada para deixar.
Onde mora o encanto?
Se lamenta, só conhece o pranto.
Até este desse sertão castigado já fugiu,
O mesmo faz agora
O castigo encarnado Num corpo vil.
E mesmo sempre no limite,
Entre o sim e o não,
A alma não deixa a esperança
Fugir do coração.
Juliana Melo
És da Lua
Eu sou do mundo todo,
E ninguém quer ser meu,
Pertencer limita;
Sou lua sozinha,
Entre fazes
Desapareço,
Caminho,
Vou pra rua,
Escondo-me,
Toda nua,
Ressurjo:
Em fase sua;
Desapareço:
A fase é dele.
Tantas fases, todo mês;
Tantas fases, toda vida,
Hoje sua,
Amanha desaparecida,
Ainda assim nunca esquecida,
Pelo brilho, pela magia.
Olhos meus perseguindo
As fases do teu ser,
Sumido, enluarado,
Embebido na loucura
De a lua sempre pertencer.
Juliana Melo
terça-feira, 14 de julho de 2009
Invisiveis
Haviam carros de mais na garagem, conquanto naquela manha resolveu ir para o trabalho andando, afinal não ficava muito longe. Passou a mão nos longos cabelos negros e causou as sandálias de salto, ao descer de seu quarto que ficava no segundo andar do casarão entrou no cômodo subseguente, despediu-se da mãe com um beijo carinhoso e saiu, batendo a porta.
Aquela manhã dispunha de uma atmosfera diferente, o sol estava ameno e o vento deixava o clima ainda mais agradável. Sua rua era margeada por arvores dos dois lados, intercaladas com belos canteiros floridos. Saindo do bairro nobre e aproximando-se da empresa - que ficava proxima ao centro - o ambiente ia mudando: os barulhos automotivos ficavam mais evidentes, as pessoas passavam por ela e umas pelas outras sem se notar, já estressadas e apressadas aquela hora da manhã.
Alegre, ia caminhando com fones no ouvido, quando passou por um bar localizado à esquina, ainda estava fechado e no chão duas pessoas vestidas em trapos chamaram sua atenção, sustou por um instante a observá-los, parecia um casal, dormiam abraçados, como se buscassem nos braços um do outro o que não aviam encontrado nunca em lugar algum; sujos e desacreditados, mesmo dormindo seus semblantes eram de pesar, os corpos lívidos e estóicos. Vagarosamente foi recuperando os movimentos e voltara a andar; no momento em que tinha os olhos cravados naquela imagem, pensamentos mil rondavam-lhe o cérebro, o coração batia acelerado e quase podia sentir o sangue correr em suas veias. Atravessou a rua compungida, indagando-se, ha quanto tempo não via a realidade que a cercava; como aquilo a incomodava. Recobrou os pensamentos revolucionários de sua adolescência, os ideais utópicos de vida que alimentara nessa fase e que abandonara com o passar dos anos. Pensou o que Jesus faria se visse aquela cena, Se ao invés dela, quem estivesse passando naquele momento fosse Jesus, o que ele faria? – não querendo comparar-se, mas intencionando agir de maneira a ajudar de alguma forma aqueles seres invisíveis- que carregados de matéria ocupavam o chão nú de um boteco qualquer, com o pensamento criastão, originado pela criação ortodoxa que recebera, deduziu que certamente Jesus equânime, suscitaria peixes e pão para matar a fome daqueles infelizes, colocaria a mão em suas testas e estariam curados de qualquer escoria que lhes acercasse; mas certamente ela não era capais de obrar milagres e por isso continuou andando. Passos a frente, talvez iluminada por ele(Jesus) concluiu que ums sanduíches certamente dariam conta de acalmar o estomago daquele casal, ainda que não tivessem o sabor do alimento milagrosamente provido pelo mestre. Seguiu para o supermercado, precisava ser rápida pois eles podiam simplesmente acordar e ir embora. Comprou pão, presunto, queijo e achocolatado. Voltava rezando na intenção de que continuassem dormindo até ela colocar a comida ao lado deles e ir embora; não queria ser vista, e o motivo estava entre o medo e o respeito. Andando rapidamente com a sacola na mão, atravessou a rua e quando chegou a frente do bar... eles já não estavam mais. Sentiu-se esboroar. Mas porque eles não esperaram? perguntava, indignada, a si mesma. Após alguns minutos parada no meio dos transeuntes compreendeu: iam esperar pelo que? Por quem? Esperar até o dono do estabelecimento chegar e chutá-los dali? Pessoas como eles só tornam-se reais quando nos incomodam, nos atormentam ou nos machucam, e o tempo em que Jesus presenteava os fracos e oprimidos havia passado. Foram embora, e ela não podia imaginar para onde. A jovem seguiu seu caminho, com os olhos arrastando no chão e a mente na mais alta das montanhas.
Juliana Melo
Escravismo passional
Palavras belas,
Sem verdade nelas,
Enganas, ludibrias,
Não tens escrúpulo,
Promove falsas alegrias,
Distribuídas,
Espalhadas,
E todas elas
Tão enganadas.
Tuas palavras
Nada sinceras;
Com teu olhar
Tu encarceras
Em labirintos
Jogos de amor
Manténs a presa
Até que acabe a brincadeira.
A boca que beija
Tb espanta,
A fala mansa
É só façanha,
Já não me enganas
Mas me encantas,
E logo
Lembro
Do teu veneno
Então esqueço
Do meu desejo,
A tua esbórnia
Leva à escoria;
Nosso quadrívio
Ficou pra trás
Tu és
Fugaz de mais.
Juliana Melo






