quarta-feira, 17 de junho de 2009
Sobrevivi neste mundo, que me parecia hostil, por apenas 26 anos; caminhava letargicamente, enxergava os fatos e experiências apenas como borrões e dessa maneira não pude aprender nada com eles, sentia-me como numa cúpula de vidro, e preso por esta não podia entrar em contato com minhas lembranças passadas, nem com o real sentido de estar aqui, fui perdendo gradativamente as forças, e nem percebi - havia sido eu quem construíra aquela barreira- por vezes sentia um poder, acompanhado da capacidade de mudar, de aproveitar uma oportunidade... só não sabia bem qual era ela, aah fugazes momentos. Continuava aqui, eu não, meu corpo, um transeunte carregado de agruras. Dessa forma doei minha vida, e ela me foi levada. Nesse momento acometido pela clareza, compreendi, que o fio entre a alegria e a tristeza é muito fino e somos nós quem o terce, escolhendo de que lado ficar; que as coisas na vida tem a forma que resolvemos designar a elas; que o grande objetivo de estarmos aqui é crescer, muito alem do crescimento conferido pelo tão importante leite materno; que cabe a nós concertar os não acertos e transformá-los nos melhores professores; o amor que tantas vezes nos confunde em seu significado, é nada mais do que a verdadeira doação; que a paz e a alegria é construída por mãos humanas; que o medo não passa de ignorância; o escuro é igual ao claro só que com a luz apagada e mais importante do que isso é: basta um movimento para que ela se acenda; o preconceito, seja ele qual for, age escondido compungindo corações cegos e imaturos, assim como o meu, e tenho trabalhado todos os dias na tentativa de fazê-lo fenecer; tudo se origina da mesma matéria de forma que me entrego agora a natureza divina, materializada na forma de uma for laranja, a qual me alimentará durante esses novos nove meses como um grão latente sob a terra.
Dessa vez com mais sabedoria, coloco-me pra fora numa sala fria e emitindo um som que revela minha felicidade em estar novamente aqui, com os aprendizados no subconsciente e a vontade e coragem expressa nos olhos. Despeço-me dessa vez sem traumas, do ambiente morno, a atmosfera terna, como uma semente alimentava-me galhardamente, muito mais de amor diferente do que uma vida comum pode fazer.
Juliana Melo
terça-feira, 16 de junho de 2009
Passou, passado.
Juliana melo. 12/08
Ps.: Apenas o titulo é atual.
_De onde viemos então?
E escutou uma longa historia, cheia de bekers e erlenimaiers, pipetas, proteínas, pessoas com mascaras vestidas de branco e muita polemica.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Subitamente flagrei-me recobrando aquela visão. seus olhos azuis, profundos, revelavam um ardor ígneo e cafajeste, quase sentindo na pele o toque suave logo a baixo da cintura e acima de onde não poderia pegar tão rapidamente.
Sei o quão próximos estávamos por sentir seu alito quente e sem cheiro na face, seu corpo esperava o meu retorno, esperava tocar-me mais intensamente, notei sua aproximação vagarosa ansiando a reciproca e mesmo que eu quisesse, por desejo ou por fome, algo me impedia. Eu nunca havia sentido aquela trava antes e reconhecia a ancia de satisfazer os meus próprios desejos. pude sentir meus lábios quase tremendo em virtude de uma vontade que originava-se de não do meu corpo mas do meu ego. Afastei-me. A razão pela qual saí daquele cômodo sem satisfazer minha carne e espírito era desconhecida, talvez fossem os últimos resquícios de decoro que eu ainda guardava, mas não, logo descartei essa possibilidade, também não poderia ser medo pois esse ainda que existisse funcionaria mais como afrodisíaco do que como inibidor. Eu não sabia e continuo não sabendo se esse “errado” vale a pena ser cometido. O que eu devo valorizar a ética ou a alegria felina e momentânea?
No fundo eu sabia que mais cedo ou mais tarde a profanação luxuriosa se concretizaria. na verdade mais cedo do que tarde. Eu sentia por aquele homem uma atração ignomínia que por vezes confundia-se com repugnância e transpirava sensualidade.
O corpo maduro, o porte elegante, a oratória eloqüente e principalmente a excentricidade que o proibido carregava em seu significado, o sentimento de que apenas eu poderia fazer aquilo, apenas eu seria capais de despertar nele um desejo tão intenso que o faria romper com seus princípios e olhar a prudência de forma irrisória, talvez isso me fizesse sentir mais importante, única e poderosa. Porem, no meu intimo eu sabia que homens assim crescem como uma praga e a única singularidade que eu poderia conquistar seria a consciência de que única eu não era. Seria umas das muitas, ainda poucas, tomadas pelo orgulho pecaminoso que o profundo azul misterioso marinho podia despertar, e levar pro fundo de si como faz canto enfeitiçado das sereias.
Juliana Melo




